A revolução se encaminhava para o clímax quando, de um salto, começou a ruir. Eis que vinha à tona a mais profunda das mitológicas profecias de Johniel, filho de Lennão: “O sonho acabou”. Yeshua foi pego pelos caras do regime. Morto pelos donos do poder, com o aval do povo alienado. Tinha então trinta e três anos de idade. Não teve como fugir à cruz. Sua longa barba foi logo associada ao Partido Comunista. O Estado, autoritário e repressivo, era na verdade uma extensão do Império Romano - era preciso pagar impostos ao poderoso César, que se dizia dono do mundo. Em recordação aos quatro séculos de escravidão dos “Filhos de Israel” no Egito, o nome dessa política internacional ficou sendo “Neo-colonialismo”. Séculos mais tarde, alguns pensadores quiseram chamar esse período histórico e o período seguinte de “Globalização”, mas foram perseguidos porque, na época, ninguém acreditou que o mundo fosse redondo como um globo.

Judas, o traidor, foi oficialmente culpado por entregar Yeshua. O que só mais tarde emergiu aos pesquisadores desta corrente científica é que, na verdade, Judas foi apenas um bode expiatório. O próprio Yeshua relatara muitas vezes aos seus o destino que o aguardava. Deu-se, afinal, que Judas, ao invés de enforcar-se como acredita a quase totalidade da opinião pública, foi exilado. Em outras palavras, por suspeita de participação na “Sociedade Alternativa”, foi convidado a se retirar do país. Embarcaram-no direto para Roma, onde instalou-se de improviso nas periferias, às margens da sociedade. Lá, a massa alienada pelo organismo, depois de suar arduamente para comer o
Panis, entretia-se assistindo ao
reality show dos gladiadores no
Circenses - que deveria ser essencialmente uma concessão pública, mas que era dominada pelos
promoters de espetáculos sangrentos.
Enquanto isso, em Jerusalém, um grupo de fanáticos tentava ressuscitar Yeshua. Este, devido à repentina exposição pública, passou a ser chamado de “O Cristo”. Seus seguidores inventaram o “Fogo do Espírito Santo” e começaram a falar em línguas estranhas. Criaram um grande golpe de marketing e produziram um sósia de Yeshua para simular a Ressurreição dO Cristo. O nome do sósia era Paulo, porém, com a nova mania de falar em línguas, os adeptos de Yeshua lhe deram, ao acaso, um nome que soava semelhante à língua dos povos bárbaros bretões encurralados por Roma naquele tempo. O nome era, precisamente,
Billy Shears. Outros, também pelo acaso da nova língua “espirito-sântica”, preferiram o chamar de Paul. Mas a parceria não durou muito. O quarteto dos evangelistas, que na dita língua era chamado de
Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band, logo foi abandonado por Paulo que, arrogante e ambicioso, preferiu seguir carreira solo em outras paradas. Enfim, depois de iludir algumas prostitutas, pescadores e soldados com truques de mãos perfuradas por pregos, todos os homens de Yeshua, inclusive
Billy Shears, se dispersaram. Pelo menos em Israel, os agitadores foram dominados e a situação foi controlada. Tanto que por lá, até hoje, O Cristo não é tido por grande coisa.
Já em Roma, a repercussão foi diferente. Paulo, em suas andanças divulgando as idéias dO Cristo - sempre com interesses pessoais, é claro -, acabou por encontrar Judas. E como este havia guardado as trinta moedas de prata de que tomou parte no grande mal-entendido da “traição”, resolveram montar um negócio. Alugaram uma sala comercial razoável e fundaram a
IGREJA dO CRISTO. Logo o ex-agitador Simão, O Pedro, juntou-se a eles no novo e promissor empreendimento. O começo foi complicado. Passavam a maior parte do tempo remetendo epístolas para possíveis clientes da empresa e, às vezes, eram presos.
Mas o sucesso finalmente chegou e os fez prósperos empresários. A igreja assumiu uma estratégia popular e conquistou tantos romanos miseráveis que, mesmo sendo pobres coitados, abarrotou os cofres da empresa. A antiga religião romana ia perdendo seu espaço e o governo, desesperado, eliminou Simão. O sócio da
IGREJA dO CRISTO morreu tão gloriosa e dolorosamente quanto Yeshua. A maioria dos estudiosos defende que Paulo aproveitou bastante o dinheiro que ganhou, e morreu de velhice. Para sobreviver ao governo romano, acredita-se que Paulo tenha comprado sua liberdade de César a custa de muita prata. Quanto a Judas, esse foi longe. Viveu muito além de Paulo, e sua igreja prosperou tanto, que suas 30 moedas de prata viraram 3.000.000 (três milhões) de moedas. Por isso, o dono lhe alterou o nome, para ajustar à nova realidade numérica:
IGREJA CAPITAL MERCANTILISTA DO SÉTIMO DÍGITO. Somente três séculos depois, os homens do poder, enfraquecidos pela dimensão assombrosa da nova religião popular, decidiram aderir à nova tendência de mercado. A medida foi certeira. Judas faleceu, deixou a empresa na mão de acionistas, e Roma finalmente estatizou a Igreja. Dessa vez lembraram de Simão, O Pedro, figura interessante para o papel de mártir, e o passaram para a história como o primeiro Papa da
IGREJA CApiTÓLICA APOSTÓLICA ROMANA.
Considerações Finais