
I
- Então vai! Se você acha que essa é a melhor opção, que a sorte te acompanhe – dizia Pedro desistindo da idéia.
- Mas não queria que fosse assim. Ainda podemos ser bons amigos. Quem sabe um dia...
- Quem sabe um dia? - interrompeu ele antes que Janaína terminasse a frase.
- Vai fazer o quê? Deixar para o tempo resolver? – questionou Pedro.
- Não é isso – tentou ela argumentar.
- Como não? – perguntou ele num misto de raiva e dor que lhe faziam ranger os dentes.
- É que não dá mais. Você não consegue entender... – vagou Jana.
- Na entendo mesmo. Me desculpe. Adeus!
- Mas...
II
- Alô?! – atendeu Pedro o telefone quase 2h da manhã.
- É a Jana.
- Tudo bem? - foi ele gentil.
- Não! – ela secamente.
- O que foi? – questionou ele já com um nó na garganta.
- Precisamos conversar Pedro.
- Sobre o que Jana?
- Sobre nós! – rebateu ela num sentimento de culpa, dúvida, amor e compaixão.
- Faz um mês que tenho tentando andar sozinho e esquecer isso. Não há mais nós – falou ele da maneira mais racional possível, mas com o coração latente.
- Mas Pedro, não sei se tomei a decisão certa. Tenho pensado em nós - explicou ela.
- Não há mais o que pensar Jana.
III
Se flagrou admirando uma foto antiga dos dois juntos. “Bons tempos”, pensou ele em voz alta. Sentiu saudade, vontade de ligar. Hesitou, desistiu. Fizera seis meses que fugia incessantemente dos pesadelos e da eminência de gritar Jana. Tentou ocupar a cabeça com outras coisas. Deletou a foto do computador. A imagem ficou.
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